Dias atrás o Governador Wilson Witzel anunciou o lançamento do Programa Segurança Presente em São Gonçalo. Esse é um programa fundamental para os centros urbanos das cidades. No meio do seu discurso de lançamento, ele fez a seguinte declaração em relação a Fazenda Colubandê;

São Gonçalo precisa de policiamento, precisa reforçar a estrutura dos policiais, o Estado precisa remunerar melhor os profissionais da segurança, mas nem toda questão no Estado do Rio de Janeiro e em São Gonçalo será resolvida com polícia.

O policial, por mais importante que seja numa sociedade, não pode substituir a função dos professores, artistas, médicos, assistentes sociais, engenheiros e vice-versa. Cada profissão tem seu valor e a Fazenda Colubandê é um desses lugares que precisa conciliar sua vocação (histórica, cultural e patrimonial) para não virar apenas um local que abrigue o Batalhão Florestal.

Breve histórico da Fazenda Colubandê e o contexto político.

Já publiquei um texto contando um pouco do contexto político que a Fazenda Colubandê está inserida, além disso “a Fazenda Colubandê é uma das fazendas coloniais mais importantes do Brasil. A sua história começou no século XVII quando foi comprada por Duarte Ramires de Leão e ali sua família viveu até o século de XVIII, tornando a propriedade em uma das maiores produtoras de cana-de-açúcar da região” (…) “também pertencente ao conjunto se encontra a Capela de Monserrate, que depois passou a se chamar Capela de Santana, erguida originalmente para o batizado do filho de Duarte Ramires de Leão, no ano de 1618.“.

Em 2012 a Fazenda Colubandê foi abandonada pelo Governo do Estado quando retirou o Batalhão Florestal de lá. Em 2013 Pezão anuncia a construção de duas escolas, uma de ensino técnico e outra de segundo grau, e uma biblioteca no espaço. Em 2013 é criado o movimento “Fazenda Colubandê – Quem Ama Cuida“. Em 2017 André Lazaroni assume a Secretaria Estadual de Cultura e anuncia a reabertura da Fazenda através do POC (Programa de Ocupação Cultural). Em 2020 o Governador Wilson Witzel anuncia devolver o Batalhão Florestal para a Fazenda.

Witzel, não caminhe na mesma estrada que Pezão e Cabral.

O Batalhão Florestal é imprescindível para o desenvolvimento ambiental de São Gonçalo e não tenho dúvidas disso. Já existe uma unidade destacada (do 7º Batalhão) atrás da fazenda que poderia ser ampliada enquanto o casarão da Fazenda serviria como uma espécie de Biblioteca Parque, Campo de São Bento e Parque Lage para nós. Os índices de violência em São Gonçalo são absurdos, a polícia é fundamental para combater o crime do agora, mas a educação e a cultura fazem parte da prevenção do amanhã.

A fazenda não tem vocação policial e você sabe disso Witzel, não use o momento violento do Estado para se capitalizar politicamente.

Sei da importância de um pré-vestibular para a formação de um aluno para que ele possa entrar na Universidade. Pensando nisso, listei 7 oportunidades para você se inscrever e passar no vestibular em 2020.

Nós por Nós – Jardim Catarina

O Projeto Nós por Nós trabalha com base comunitária focando em educação, cultura e redução de desigualdades sociais e raciais. Para melhorar a educação e aumentar as oportunidades do Jardim Catarina, o projeto abriu um pré-vestibular que já levou diversos jovens para as universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. Você pode ter mais informações acessando www.facebook.com/npnjc .

Sou São Gonçalo – Lagoinha

Se trata de um projeto social que atende pessoas de São Gonçalo através de auxílio assistencial e capacitação profissional. Eles possuem um pré-vestibular comunitário 100% gratuito. Você pode ter mais informações acessando www.facebook.com/sougoncalo ou mandando mensagem para 998400198 ou 974697919.

Futurama – Brasilândia

Curso de Pré-Vestibular com professores licenciados na UERJ/FFP. O foco para vestibulares está começando esse ano, mas a equipe é bastante qualificada. Você pode ter mais informações acessando www.facebook.com/prevestibularfuturama ou mandando mensagem para 991586559.

Start – Alcântara

O Start é um pré-vestibular com turmas reduzidas e que utiliza métodos educacionais modernos e já estão no mercado com altas taxas de aprovação nas mais diferentes carreiras. Apesar de não ser gratuito ou ter um preço muito baixo, eles estão com o “Bolsão Start 2020” em andamento que poderá te proporcionar uma bolsa de até 100%. Para mais informações sobre o bolsão, acesse www.ccstart.com.br .

Saber para Mudar – UERJ/FFP

O Pré-Vestibular da UERJ/FFP é um dos projetos mais importantes da universidade. São 50 vagas para o turno da tarde e 50 vagas para o turno da noite. O pré-vestibular é gratuito e para participar você passará por um processo seletivo. Os resultados do Saber para Mudar são impressionantes. Você pode ter mais informações acessando www.ffp.uerj.br ou acessando o edital.

Rede Emancipa São Gonçalo

Pré-Vestibular popular que além do desenvolvimento educacional, trabalha com o desenvolvimento cidadão do aluno em busca da redução de desigualdades. Você pode ter mais informações acessando http://www.facebook.com/redeemancipasg .


Rede Educativa – UFF – É de Niterói, mas a maioria dos alunos são Gonçalenses.

Rede educacional organizada por alunos da UFF focados em garantir oportunidades em universidades públicas para pessoas de origem popular. O pré-vestibular é gratuito e para se inscrever basta enviar um e-mail para uffeduca@gmail.com.

Coletivo Direito Popular – UFF Ingá – É de Niterói, mas grande parte dos alunos são Gonçalenses.

O Pré-Vestibular Dr. Luiz Gama é organizado pelos estudantes de Direito da UFF de Niterói. A oportunidade é gratuita e os profissionais envolvidos são voluntários. O processo seletivo dos alunos é a partir de um método de interesse e participação que dará pontos para a seleção. Você pode ter mais informações acessando www.facebook.com/coletivodireitopopular e para se inscrever, acesse aqui.

Fui, vi e gostei. A Feira Nordestina é meu novo xodó e entra no mesmo lugar da paixão que tenho pela Praia das Pedrinhas. A feira reinaugurou um espaço que servia ao submundo do tráfico e dos assaltos. Nessa publicação vou listar minha avaliação sobre esse aparelho público.

Serviço

O Centro de Tradições Nordestinas funcionará às sextas, sábados e domingos. A música começa a partir das 18h.

  • Sexta – 12h a 1h da manhã
  • Sábado – 12h a 1h da manhã
  • Domingo – 10h às 22h da noite

O espaço de lazer, com a pista de patinação, playground, quadra e academia, ficará aberta diariamente.

Acessibilidade

A Feira Nordestina fica na R. José Augusto Pereira dos Santos, ao lado do Colégio Municipal Ernani Faria, em Neves.

  • Ônibus – Descer na Praça de Neves em frente a Delegacia e andar até o Centro. Se vier pela BR, basta descer no ponto do Carrefour e andar na rua paralela a Br no lado do Posto Shell.
  • Uber, 99 e Táxi – Basta escrever Feira Nordestina de São Gonçalo ou Colégio Municipal Ernani Faria que você chegará com facilidade.
  • Carro ou Moto – Entrar na rua ao lado da Delegacia de Neves se vier por dentro ou na Rua paralela para quem sai do Carrefour se vier pela Br. O centro de tradições tem estacionamento e a taxa ainda não está tabelada, mas provavelmente será entre R$2 e R$5.

Comidas, bebidas e Preços

Os preços ainda não estão exatamente estabelecidos, mas são bastante acessíveis e de maneira geral é mais barato que a Feira de São Cristóvão. O cardápio está bastante diverso. Encontrei Baião de Dois, Pastel com Caldo de Cana, Churrasquinho, Acarajé, Moqueca, Maria Isabel e Sarapatel. O refrigerante, cerveja e água acabou em algumas barracas, mas consegui bebidas bem geladas mesmo no final do dia.

Espaço

O corredor das barracas que dá acesso ao palco e o espaço que a galera vai dançar é amplo, mas não deu conta do volume de gente durante a inauguração. Não acredito que todo dia será como na inauguração, então de maneira geral é um espaço que comportará a média de público que tende a diminuir ao longo das semanas ate estabilizar.

A quadra poliesportiva é maravilhosa. A pista para patins é ampla e funcional, o parque é um pouco menor que a proporção dos outros espaços e a academia atende uma demanda importante. O estacionamento comporta um volume significativo de carros e o único ajuste necessário é o caminho de dentro do portão até o estacionamento que ainda não está asfaltado.

Minha avaliação

Estamos presenciando um dos aparelhos culturais mais importantes que a cidade já recebeu. Assim como foi o complexo esportivo no entorno da Fazenda Colubandê e assim como foi o Piscinão de São Gonçalo, o Centro de Tradições Nordestinas é um marco importante no desenvolvimento da identidade local.

Faço questão de evitar destacar qualquer problema que eu possa encontrar pois sei da realidade econômica do município e sei que esse aparelho é um respiro no meio de tantos desastres (em todas as áreas) que nossa cidade viu nos últimos anos. É preciso uma preocupação com a manutenção e com ajustes finos, mas de maneira geral está tudo muito lindo.

A música Xote dos Milagres do Falamansa é a história de um filho contando para uma mãe cristã que ele quer ser cantor de forró. Ele começa a música dizendo que “O sangue que corre em mim sai da tua veia. Veja só, você é a única que não me dá valor” e assim é a relação da Feira Nordestina em relação a alguns gonçalenses.

Entendo as reclamações em relação ao “prioritário”. Muita gente dizendo que tinha que construir hospital, escola e asfaltar rua antes de qualquer movimento de construir uma Feira Nordestina. Me pergunto “então por que será que este valor é o que eu ainda quero ter” de poder dançar como algo fundamental na minha vida tanto quanto ter saúde, educação e asfalto?

São Gonçalo é uma cidade com muitos nordestinos que vieram para cá em busca de trabalho no Estado do Rio de Janeiro e se instalaram em cidades próximas da capital. O forró diário, dançado na luta, suor e sobrevivência são linhas fundamentais da nossa origem.

Cultura é indispensável numa sociedade. Nossa língua, nossos valores e nossa conexão é feita por conta dos elementos culturais que nos identificam. Acredito sim que o Governo Nanci tem que melhorar muito, tem que ter muitos ajustes para poder se conectar melhor com a população da cidade, “porém não é pecado se eu falar de amor” e eu quero poder falar de de cultura como algo prioritário também.

Vou dançar muito nessa Feira Nordestina, vou chamar as consagradas para comer várias paradas e vou defender a manutenção e mais investimentos naquele complexo esportivo, cultural e que pode ser o início de uma nova concepção de espaços públicos na cidade.

Panisset, sei que você vai ler, mas entenda que é uma crítica construtiva para a história da cidade.

Aparecida Panisset é uma figura que gera amor e ódio em São Gonçalo. Tem gente que diz que foi a melhor prefeita da história, tem gente que diz que não foi boa prefeita mas o momento econômico do País ajudou, tem gente que engole seus erros e tem gente que ignora seus acertos. Fato é que ela nunca deixa de ser falada.

Desde que Panisset finalizou sua gestão como Prefeita e em seguida foi condenada pelo Tribunal de Justiça do Rio por improbidade administrativa e dano ao erário, São Gonçalo não produziu nenhuma outra figura tão expressiva (seja para o amor ou ódio) como ela. Sua ausência sempre gerou uma pergunta que era o “e se ela pudesse disputar uma nova eleição?”.

Minha opinião é que Panisset é um fenômeno eleitoral, sabe andar pela cidade como poucos, gerou uma mística estética por conta do seu cabelo e roupas, foi a maior liderança política feminina da cidade, fez uma escolha de governar para um grupo religioso específico, cometeu crimes administrativos que precisam ser punidos e por isso sua trajetória é muito discutida sempre.

Esse ano é mais um ano eleitoral. Vamos decidir o nosso Prefeito ou Prefeita e a Panisset volta a circular os bastidores do debate público. A princípio ela não pode disputar, mas a situação é bem parecida com a do Prefeito Marquinho Mendes que disputou por liminar, ganhou e depois foi caçado.

Acho que se ela é bastante competitiva e não por conta dela mesma (apenas), mas por conta da ausência de lideranças tão expressivas como ela. Dejorge, Nanci, Pericar, Josemar, Dimas, Marlos, Randal, Renan, Diney, Capitão Nelson, Arthur Belmont, Isaac Ricalde e todos os outros nomes não geram uma órbita tão grande quanto Aparecida geraria. Não acho isso bom, mas é a realidade.

Ela foi um fenômeno eleitoral quando foi candidata a vereadora, foi um fenômeno local quando foi candidata a Deputada, foi um fenômeno nas duas eleições para Prefeita, foi um fenômeno na transferência de votos para Adolfo Konder e foi um fenômeno na transferência de votos para Brizola Neto. Não sei o que ela está pensando da vida, não sei se vai se aposentar ou tentar se envolver em mais uma eleição, mas fato é que essa mulher vai ser lembrada por muitos anos aqui na cidade.

Uma placa chama atenção em São Gonçalo nos últimos dias;

O Brasil tem uma legislação própria que impacta a nossa realidade aqui em São Gonçalo. Temos a Constituição Federal, a a Constituição do Estado do Rio de Janeiro e a Lei Orgânica do Município de São Gonçalo. Na área do Meio Ambiente, por exemplo, jogar lixo na rua é considerado uma contravenção penal prevista no artigo 54 da Lei 9.605/98 que aplica pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa.

A legislação para o meio ambiente e para qualquer outra área no Brasil é bem complexa (e até eficiente no papel), mas longe de ser cumprida e fiscalizada como deveria. Tem até uma frase engraçada que é “essa lei não pegou” como se lei fosse para ser avaliada para ser cumprida ou não. Risos.

É na ausência do Poder Público que o poder paralelo cresce. Essas placas, por mais impactantes que sejam, são respostas do crime organizado pela falta de políticas públicas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, INEA e Ministério do Meio Ambiente. A placa contêm crime, é grave, mas não espero que o poder paralelo trate isso dentro da lei, não é?

Eu não fico chocado pois desde a década de 90 que São Gonçalo tem esse vácuo ocupado pelo crime organizado. O remédio que o tráfico compra para alguns moradores é pela falta de funcionamento do Sistema de Saúde do Município. A escola que o tráfico paga para alguns moradores é pela falta de funcionamento do Sistema de Educação e agora a placa de punição para o lixo jogado na rua é pela falta de funcionamento dos órgãos ambientais.

O que me choca é uma cidade com mais de um milhão de habitantes não ter uma política séria para dar solução nos resíduos produzidos aqui. Da Prefeitura espero respostas, do Governo do Estado espero respostas, do Governo Federal espero respostas, mas do poder paralelo não.

São Gonçalo tem sido uma cidade com mais poder paralelo que público e o caminho é quase irreversível. Uma placa escrita “Área reservada. Proibido jogar lixo. Ordem do CV. Lixo no chão, tiro na mão” é um sintoma do quanto a maioria dos nossos parlamentares, prefeitos, governadores e presidentes foram ineficientes na construção de políticas públicas em cidades como a nossa.

De qualquer forma, cuidado ao jogar lixo no chão, seja para as leis oficiais ou paralelas.

O Sargento da Polícia Militar Max Freitas morreu tentando impedir um assalto no São Gonçalo Shopping. Um bandido anunciou assalto nas Casas Bahia e quando o policial foi reagir, um segundo criminoso atirou nas suas costas.

Compartilhei essa semana o número de ocorrências em São Gonçalo para todo tipo de crime. Você pode ler essa publicação aqui voltando nos meus textos ou clicando aqui. É um número assustador de uma cidade largada e totalmente negligenciada em relação aos investimentos públicos nas áreas de segurança.

Fico me perguntando quem cuida do psicológico dos policiais (dos honestos, corretos)? Fazemos cobranças (justas) em relação ao trabalho de muitos batalhões, mas precisamos compreender a profundidade do trauma psicológico que esses profissionais estão passando durante o trabalho.

Se eu tiver problema no meu trabalho, vou ter um computador queimado, uma câmera quebrada, um excesso na conta de luz. Um policial não, um policial usa seu corpo para confrontos letais cotidianamente no Rio de Janeiro. Quem cuida deles?

Existe uma diferença entre policial e polícia. A polícia que é uma instituição de segurança tem todos os erros do mundo. Não dá conta da atenção correta dos policiais, não dá conta da remuneração adequada para os policiais, não dá conta dos equipamentos necessários para os policiais trabalharem. Já o policial é o profissional da ponta que sofre com sua falta de estrutura somada a falta de investimentos na segurança pública do estado.

339 agentes sofreram algum tipo de lesão durante seus turnos de trabalho em 2019. A Comissão de Análise da Vitimização Policial concluiu que a PM gastou mais de 43 milhões de reais com agentes feridos em 2017. Esses números são absurdos e mostram o quanto nós, enquanto sociedade, também estamos destruindo a vida dos policiais cariocas.

É preciso cobrar os casos de crime cometidos por policiais militares. É preciso cobrar os exageros e as mortes criminosas que acontecem no Rio de Janeiro por parte dos policiais, mas é preciso lembrar sempre que os policiais (pessoas, cpf’s) também são vítimas desse sistema que optou pelo confronto ao invés da inteligência que é a segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.

Antes de qualquer crítica compartilhada, não tenho dúvidas de que o maior responsável por toda a limpeza urbana, toda a estrutura para que não existam alagamentos é do poder público. A busca por investimentos, a busca por soluções, a conscientização pública, a coleta de lixo é responsabilidade do poder público, mas o sofá jogado no valão eu não tenho certeza. Queria a ajuda de vocês.

Antes da gente culpar uma pessoa por jogar um sofá na rua ou culpar a Prefeitura por um sofá estar na rua, precisamos fazer algumas perguntas importantes.

  • São Gonçalo tem um sistema de coleta de resíduos como sofás, armários e geladeiras que funcione com eficiência?
  • Se funcionar com eficiência, é um programa acessível para as pessoas em todos os lugares da cidade?
  • Se funcionar com eficiência e for acessível, tem uma constância e presença que atenda a demanda da cidade?
  • São Gonçalo tem um programa de conscientização ambiental nas escolas e fora das escolas para criar um hábito de separação de lixo local?

Essas perguntas me fazem avaliar que São Gonçalo tem uma coleta de lixo comum bastante ok se comparado com as gestões anteriores, mas para esse tipo de resíduo (sofás, por exemplo) o atendimento não é bom, ou seja, se uma pessoa tiver um sofá e quiser se livrar dele certamente ela terá problemas.

Entramos no próximo problema. Mesmo o poder público não garantindo uma destinação eficiente para esse tipo de resíduo, se a pessoa jogar o sofá num canteiro, isso se configura crime ambiental (Artigo 54 da Lei 9.605/98) que pode ter uma pena de reclusão de um a quatro anos, e multa. Se ela resolver queimar o sofá também é crime da mesma lei 9.605/98.

Institucionalmente a responsabilidade é do poder público (todas as esferas). Se o poder público negligencia o recebimento do lixo, se o poder público não multa e pune quem comete esses crimes e se depois do sofá colocado na rua o poder público não é eficiente para retirar, não tenho dúvidas que institucionalmente a responsabilidade é sim do poder público, mas é só disso que se trata um sofá na rua?

Existem temas que são de total responsabilidade do poder público, mas o equilíbrio ambiental para evitar a sujeira das vias públicas e evitar eventuais problemas mais graves também é de nossa responsa, não é? Como disse, institucionalmente não existe nenhum problema em culpar apenas o Prefeito, Governador e Presidente, mas é essa São Gonçalo que queremos construir?

Participe do processo seletivo gratuito para o Ensino Médio da Firjan SESI com Curso Técnico da Firjan SENAI da unidade São Gonçalo. Confira o edital, veja os critérios de participação e garanta um futuro transformador para o seu filho:

1 – Possuir renda familiar mensal per capita bruta de no máximo 1,5 salários mínimos federal, situação a ser atestada mediante autodeclaração, em cumprimento ao Regulamento do SESI e ao Regimento do SENAI.

2 – Ter concluído o ensino fundamental e apresentar, após a inscrição, no momento da validação e no ato da matrícula, os documentos elencados solicitados pela instituição para efeito do cumprimento de exigências do processo seletivo ou legais.

Os alagamentos em São Gonçalo estão cada vez mais comuns. A falta de políticas públicas para o setor e a negligência dos poderes faz nossa cidade ser uma receita pronta para o caos em momentos de chuva. Escrevi um texto sobre isso semanas atrás ( caso queira ler, acesse esse link ).

Chuva após chuva, destaco aqui a atuação dos Bombeiros Militares Gonçalenses. Mesmo sem as estruturas necessárias, mesmo com um efetivo muito abaixo do necessário para uma cidade como a nossa, é muito importante agradecer a atuação desses guerreiros nesses momentos em que a cidade vira um caos.

A Geografia de São Gonçalo, nessa situação de alagamento, não ajuda. A limitação de usos de carros em algumas áreas como Ipuca e Salgueiro, por exemplo, atrapalha bastante o trabalho dos bombeiros e a alternativa é o uso de barcos que não possuem a mesma capacidade que um caminhão, pick-up, SVU.

Nossa rede de proteção é frágil. Apesar do sistema de avisos da Defesa Civil funcionar relativamente bem, não adianta muito por conta da resposta dos outros órgãos não ser eficiente. Não temos abrigos organizados com velocidade, não temos equipamentos necessários para resgate e o conjunto da obra é que o voluntariado comunitário vira a principal política pública da cidade durante os alagamentos.

Temos alternativas para reduzir os impactos das chuvas?

Sim, temos. Existem pesquisas sendo desenvolvidas nas Universidades por pessoas preocupadas com isso como é o caso da Lúryann Guimarães que está pesquisando parques inundáveis e a pesquisa dela é para resolver o problema de alagamento no Vila Lage. Existem os recursos do Termo de Ajustamento de Conduta que a Petrobrás precisa pagar para São Gonçalo por conta dos impactos do COMPERJ que poderiam ser usados para esse tipo de infraestrutura.

Temos as regras do Plano Diretor que é uma bússola do desenvolvimento do Município e que foi deixado de lado pelo poder legislativo (para fiscalizar) e executivo (para executar). Temos a cartilha da Agenda 21 que foi produzida por muitos pesquisadores que também fala sobre os alagamentos. Temos os Planos Municipais e Estaduais que descrevem caminhos para reduzir esses impactos em médio e longo prazo, etc.

E é isso. Enquanto não temos as soluções sendo executadas, ficam os parabéns para os bombeiros.