Vinícius Jr. é um gonçalense que está jogando no Real Madrid e ontem, no clássico contra o Barcelona, fez um dos gols que garantiu a vitória do seu time contra Messi, Piqué e companhia. Nasci no Mutuapira, bairro bem próximo de onde o Vinícius Jr. cresceu e assim como ele, vi muitos amigos meus querendo ser jogador de futebol. A história dele é a história de vários da nossa cidade.

Lembro quando ele agradeceu o Flamengo por tirá-lo de São Gonçalo e muita gente questionou como se a maioria da cidade não quisesse ir embora. Sou um dos mais apaixonados por São Gonçalo e mesmo assim reconheço que São Gonçalo não deu nada para Vinícius. Por qual motivo ele deveria agradecer a falta de oportunidades que a cidade o deu?

Mesmo o Brasil sendo a terra do futebol, valorizamos muito pouco os nossos jogadores. Pelé, o maior de todos os tempos, é tirado como qualquer um. Neymar, um dos melhores do mundo, é tirado como qualquer um. Vinicius Jr., de São Gonçalo, jogador do Real Madrid, vendido por 45 milhões de euros, é tratado como se fosse qualquer um.

Assisti um vídeo do Bruno Formiga sobre o nosso conterrâneo que falava sobre como avaliamos um jogador de 19 anos como se fosse alguém já consagrado e reduzimos a um “craque ou um joga nada”. Ele pode não jogar tanta bola quanto nossos gênios, mas ele é um jogador com 19 anos em processo de FORMAÇÃO. Ainda tem muito para aprender, mas é um dos jogadores mais vistos dessa geração e é nosso, é GONÇALENSE.

Torço muito pelo Vinicius. Apaixonado pelo futebol como sou, não o vejo como um dos melhores do mundo, mas acredito que vá conseguir se manter na elite do futebol mundial sem muitas dificuldades. Além disso, essa é uma oportunidade da nossa cidade reaproximar esse garoto que sempre que vem ao Brasil passa no Porto do Rosa para soltar uma cafifa.

Parabéns para o Real Madrid que venceu o Barcelona. Não fosse um Gonçalense tentando, lutando, correndo e fazendo gol, talvez isso não fosse possível. Nosso povo luta em todos os campos, inclusive no Santiago Bernabéu.

O ambiente de uma cafeteria faz toda diferença para uma conversa. Uma boa luz, um bom cardápio e um espaço tranquilo para conversar, trabalhar e botar a cabeça no lugar é fundamental para toda cidade. Nesse sentido, vou listar 6 cafeterias em São Gonçalo para você visitar.

Bistrô D’Avó

Esse é um dos lugares mais lindos de São Gonçalo. Já fui para trabalhar, para flertar, pra bater papo, para descansar e o atendimento é maravilhoso. A dona do Bistrô é a Jandira e ela é um amor de pessoa que vai te dar uma atenção especial que você nunca teve dentro de um empreendimento nessa cidade. O endereço é Rua Eduardo Vieira de Souza, n° 122 – Centro.

Justo Café

Sabe aquela cafeteria que não perde em nada para as referências cariocas do mesmo segmento? Essa é a Justo Café. Preços justos, ambiente extremamente agradável e um ótimo lugar para fechar um bom negócio ou pedir a consagrada em namoro. O atendimento é maravilhoso também. O endereço é Estr. dos Menezes, 850 – Loja 110 – Alcântara.

Bellajoe Cafeteria

A Bellajoe tem um conceito bastante moderno de cafeteria. Fui algumas vezes e me surpreendi com o cardápio que possui alguns itens que eu nunca comi. O ponto alto da cafeteria, na minha opinião, é o restaurante próprio (Bellajoe Restaurante) e a proximidade com o centro econômico da cidade. O endereço é Rua Salvatori – nº61 – Centro.

Bookafé

Falo para meus amigos que essa é um cafeteria raiz. Atendimento rápido, educado e com muita proximidade. Além disso, tem uma comida barata, gostosa e que me dá a sensação de estar tomando café na casa da minha avó. A bookafé é a cafeteria que gosto de ir quando estou com pressa. O endereço é R. Simeão Custódio, nº28 – Centro.

Café do Feirante

Sabe o primeiro amor? Essa foi a cafeteria que me apresentou o universo do café aqui em São Gonçalo. Os primeiros meses acabaram com todo o meu dinheiro de tanto que fui para tomar chocolate quente com bolo de chocolate. Ela é, depois da minha paixão que é a Cervejaria Dois Lados, o melhor cantinho do Partage. Fica no Partage Shopping.

Delícia Café

Fui poucas vezes na Delícia Café, mas acho um lugar bastante agradável para sentar e bater papo. Longe da praça de alimentação e da barulheira de um shopping, ela é uma boa alternativa para quem vai ao Shopping São Gonçalo e quer comer algo e beber um café. Fica no São Gonçalo Shopping.

Oi, tudo bem? Hoje vou listar 7 projetos em São Gonçalo que contribuem para a redução de danos ao meio Ambiente na cidade. Gostei desse formato de lista e vou continuar usando para dar visibilidade para boas iniciativas pelas nossas terras.

Projeto Remoma

Criado pelo Marcos Dias, o Projeto Remoma está fazendo o reflorestando do morro da Igreja Matriz nos últimos 17 anos. O Projeto tem três pilares. O ecológico através do reflorestamento, o religioso por conta da via sacra que fica atrás da Igreja Matriz e o turístico que é a construção de um futuro parque no local.

Coletaí

O Colet é um projeto criado pela jovem Luma Moura que promove o descarte correto de resíduos sólidos através da educação ambiental. Através do cruzamento de dados e mapeamento da cadeia produtiva do lixo gonçalense, o Coletaí conecta a população aos pontos de coleta de lixo da cidade.

Desafio do Lixo – Pedrinhas

O Desafio do Lixo – Praia das Pedrinhas iniciou em abril de 2019 e já recolheu mais de 3 toneladas de lixo do manguezal da Praia das Pedrinhas. Fui um dos fundadores e logo em seguida Yonara Costa chegou para contribuir e consolidar o projeto. Uma vez por mês fazemos a limpeza do manguezal com o apoio de dezenas de voluntários.

Reciclus

Apesar de não ser uma marca/projeto nativo de São Gonçalo, eles estão presentes em alguns empreendimentos na cidade. A Reciclus destina corretamente as lâmpadas que vão para o lixo. Os pontos de coleta aqui em São Gonçalo estão no Makro São Gonçalo, Carrefour Alcântara, Lojas Riachuello, Atacadão, São Gonçalo Shopping, Casa Show São Gonçalo e Extra Supermercados.

Projeto Uçá

O Projeto Uçá é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.Sua missão é a conservação de ecossistemas costeiros,com foco nos manguezais e valorização de povos tradicionais.”. Apesar de atuar em todo o leste da Baía de Guanabara, é preciso destacar sua enorme importância para São Gonçalo que também é banhada pela Baía. Suas ações são em diversas frentes da preservação ambiental.

São Gonçalo Shopping Sustentável

O Programa São Gonçalo Shopping Sustentável tem como finalidade implementar ações que preservem o meio ambiente. A unidade possui um local destinado a separação e compactação de lixo reciclável como: papel, papelão, alumínio, plástico, ferro, e lixo descartável, como: comida, papel molhado, embalagens. A Central de Reciclagem é destinada a lixos recolhidos nas lixeiras do shopping. Além disso, possuem coletores de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes.

Associação dos Produtores Rurais Assentados da Fazenda Engenho Novo

A Associação foi construída por conta dos assentamentos de terras no entorno da Fazenda Engenho Novo, em Monjolos. Desde a divisão das terras, os produtores rurais se organizam para fazer feiras e eventos levando produtos produzidos pelas famílias. A contribuição da associação, para além de manter as terras produtivas, é de garantir uma produção local de frutas e verduras de altíssima qualidade.

Domingo, final de tarde e os ônibus estariam passando pela Paul Leroux. Os camelôs estariam colocando gelo para a cerveja, refrigerante e cantina da serra. Os fogos começariam a estourar e eu saberia que era hora do bom e velho sambão.

Junto com a decadência da Porto da Pedra por faltas de investimentos públicos e privados, um dos eventos mais importantes da cidade também miou. De Novembro até o carnaval, domingo era dia de se divertir no inferninho localizado entre a mangueira e o paraíso.

O mais legal era a democracia da festa. Na Praça dos Ex-Combatentes as famílias ficam perto do tanque para curtir os brinquedos, uma galera curtindo outras coisas atrás do tanque, os esfomeados no meio da praça, os cachaceiros na frente da UERJ, os funkeiros ficam depois da UERJ, os playboys na frente da Estação dos Sabores e os casais espalhados por todas as ruas paralelas possíveis.

Mesmo com o trio elétrico com um som não tão bom, mesmo com as eventuais brigas que sempre rolavam, o sambão era diversão certa. Gerava economia para quem queria vender umas bebidas, gerava diversão para quem estava sem nada para fazer, gerava uma consagrada ou consagrado para quem estava procurando, gerava briga para quem estava procurando briga, etc.

Falando em busca, já reparou como a gente fica buscando na memória relembrar das pessoas nos anos anteriores? Fico reparando quem engordou, quem emagreceu, quem cortou o cabelo, quem pintou o cabelo, quem enriqueceu, quem foi solto, quem está namorando com quem?

Não escutei as gritarias, aquele som ruim, não comi meu frango empanado e não vou relembrar de como é bom andar, andar e andar pelo ensaio do Porto da Pedra sem ter nada para fazer além de trocar ideia andando de um lado paro outro.

Sobre o desfile da Porto da Pedra – Madrugada de sexta para sábado às 00:15h.

Se rolasse uma refundação da cidade de São Gonçalo, nosso símbolo seria uma bisnaga de maionese temperada. Teríamos bisnagas verdes, amarelas, roxas com orégano e avermelhadas com pimenta na bandeira.

Já rodei muitos estados, mas a melhor maionese temperada do país deve ser a nossa. Espalhadas pelos centros gastronômicos das praças e dos bastidores da falta de luz, todo ponto de x-tudo tem um sabor único. Uns mais gordurosos, outros mais gourmet, outros que nem gosto de maionese tem, mas todos são parte fundamental do podrão do final do dia.

Pode parecer bobeira, mas a maionese temperada é uma das dimensões da sustentação econômica da cidade. Ao mesmo tempo que a economia do país e da cidade vão se pulverizando por conta de toda uma conjuntura política instável no Brasil, esse tipo de especiaria, aliado ao mercado de consumo de alimentos de rua, é um mecanismo importante para a vida econômica local.

Tenho certeza que quando você vai escolher o local para comer leva em consideração a maionese temperada. Lembra do lanche, dos acompanhamentos e vê, se no final, o tempero te ganha.

E pra você? Qual é a melhor maionese temperada da cidade?

Uma fotografia ficou famosa essa semana. Alguns moradores colocaram uma piscina na Rua Dr. Getúlio Vargas, em Santa Catarina. Cerveja gelada, pagode e piscininha amor. A Guarda Municipal, corretamente, retirou a piscina alegando os perigos de deixar uma piscina numa rua principal.

De maneira geral, São Gonçalo não cuida da prevenção de nada. Não temos programas eficientes de prevenção contra as enchentes, contra a violência, contra o desemprego, contra os esgotos a céu aberto e, como podem ver, de prevenção de uso de espaço público.

Ando muito por São Gonçalo, muito mesmo. Certamente sou uma das pessoas privilegiadas que conseguem conhecer a cidade com mais profundidade e nessa análise por observação, também concordo com Rodrigo Santos dizendo que São Gonçalo não tem dono.

Restaurantes ocupando a calçada inteira, mas não mexemos por estarem gerando trabalho. Bares na Pista de Caminhada ocupando a linha do trem e a rua inteira, mas não mexemos por estarem gerando trabalho. Bar na Praia das Pedrinhas fazendo um deck invadindo a água, mas não mexemos por estarem gerando trabalho. Todo mundo pegando energia do poste, mas não mexemos por conta da burocracia que é pedir para a ENEL.

Nossa cidade institucionalizou a selva e é por isso que uma piscina não pode ser recriminada. Não dá para o Estado (qualquer esfera governamental) ou uma cidade repreender uma piscina na rua sem antes dar uma resposta sobre o Piscinão de São Gonçalo, não dá para punir o dono da piscina sem antes punir os responsáveis pelas piscinas durante alagamentos do Vila Lage, da Ipuca, da Fazenda dos Mineiros.

Nós somos um povo forte, criativo e cheio de energia. Poderíamos usar essa criatividade para fechar ruas aos finais de semana liberando oficialmente as piscinas nas ruas, mas não temos Guarda Municipal suficiente para isso. Poderíamos pressionar o Governo do Estado para reabrir o Piscinão, mas a política local só fala da necessidade de polícia (necessária, mas não dá conta de tudo e já falei sobre isso). Poderíamos reabrir as piscinas olímpicas dos CIEP, mas “não temos” dinheiro para isso. Nesse sentido, que culpa tem uma piscina na rua?

Piscininha amor, piscininha.

São Gonçalo não é a melhor cidade para se morar e todo mundo já sabe disso. Gostar da cidade não significa ignorar suas contradições, problemas e desigualdades sociais, pelo contrário, gostar significa reconhecer e tentar contribuir para reduzir os impactos negativos que a cidade possui.

Nesse contexto, por andar muito por outras Cidades e Estados, por circular muitos ambientes políticos e/ou empresariais, comecei a perceber que existem gonçalenses que não levam a cidade para nenhuma das suas conquistas, mas para conquistar qualquer coisa usam o “sou Gonçalense” nas frases de impacto para dar uma carteirada de pobreza para a platéia.

Nas eleições desse ano, por exemplo, já sei que vou encontrar vários “sou Gonçalense” no dia a dia, mas que na eleição ficará discutindo Crivella, Freixo e Eduardo Paes ignorando completamente a eleição da sua própria cidade. Na eleição desse ano, vou ter que engolir gente que ficou 4 anos criticando somente o Crivella e que agora, por ter interesses eleitorais na cidade, vai lembrar que Nanci existe.

Quer ignorar São Gonçalo e cagar pra cidade, tudo bem, é direito seu. Você tem todo direito de ignorar completamente a existência de São Gonçalo, mas não seja hipócrita de usar que é de São Gonçalo pra dar carteirada de quem teve vida sofrida sem de fato se preocupar com a cidade.

Em 2007 o Município de São Gonçalo criou o Polo Automotivo do Coelho. Esse polo, aprovado por lei na câmara, representa “o polígono formado pelos seguintes trechos de ruas: final da Rua Jovelino de Oliveira Viana com a Rua Juvenal Figueiredo até o nº 500“.

Estamos falando de um polo que vai completar 13 anos em 2020 e apesar de toda e qualquer crítica que eu faça, é preciso respeitar a continuidade desse pequeno centro que foi criado no Governo da Panisset, passou pelo governo de Neilton Mulin e continua no Governo Nanci como um espaço importante para a cadeia produtiva do mercado automotivo.

Quais as metas estabelecidas em 2007 e como anda cada item?

Na época que foi criado, 7 itens seriam cuidados pela Prefeitura Municipal. Óbvio que cada tópico tem responsabilidades que fogem da alçada do Prefeito e vou refletir cada tópico a partir das minhas conversas com empreendedores e observação.

  1. o livre trânsito de veículos e transeuntes – Pouco ou nada avançou desde aquele período. O aumento da frota de carros desde 2007, falta de ampliação significativa no número de guardas municipais e poucas mudança nas vias inviabilizou são tópicos desse debate.
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  2. a segurança local – Não consegui comparar os números específicos no bairro, mas os gerais (da cidade) apresentam uma piora desde 2007 com variações em alguns períodos. A falta de segurança tem mais relação com o Estado e menos com o Município. Além disso, esse espaço fica entre favelas que estão em conflito.
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  3. a harmonia estética – A Prefeitura surfava num momento econômico muito bom quando o polo foi criado. Isso refletia na construção das praças, canteiros e organização da iluminação. Neilton deixou a desejar em relação ao Lixo e Nanci resolveu essa questão logo depois.
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  4. as sinalizações indicativas semafórica e horizontal – Assim como a estética, o momento econômico da Panisset era muito bom e fortalecia esse tipo de item e assim como a estética, a sinalização seguiu a mesma sequência de não ser tão eficiente.
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  5. o disciplinamento do comércio ambulante – Não consigo emitir opinião histórica.
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  6. as condições ambientais – São Gonçalo não tem política ambiental eficiente desde sempre. Muitas vezes os Secretários são ruins, mas muitas vezes os Secretários são bons (como o Ricardo Harduim) e não são empoderados suficientemente para dar conta do seu trabalho.
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  7. a adequada aplicação das demais posturas municipais – Apesar de episódios nos centros de Alcântara e São Gonçalo que eu absolutamente não concordo, a aplicação do código de posturas no Polo Automotivo do Coelho melhorou bastante.

Acredito demais que a construção de polos econômicos, gastronômicos e culturais vão ajudar na referência de projeto de cidade para São Gonçalo. Definir esses espaços faz com que nossa organização fundiária se organize para dar conta dessas pequenas iniciativas. O Polo Automotivo do Coelho precisa melhorar muito. É preciso reduzir impostos das empresas naquele espaço, é preciso melhorar o acesso e comunicação do Polo e criar uma cadeia produtiva ainda mais eficiente liderada pelo poder privado, mas conduzida pelo poder público.

A primeira vez que conheci essa região da cidade foi durante minha adolescência. Achei estranho sair de Alcântara e minutos depois estar num lugar com sítios, fazendas, bois e plantações. Era uma contradição para minha cabeça acostumada com o Rodo e Alcântara.

Uma região construída pelos negros escravizados da Fazenda Engenho Novo.

Parte da economia gonçalense antes da industrialização passava por Santa Izabel, Monjolos, Largo da Ideia e bairros próximos. Durante o segundo império essa região foi muito importante para a economia do Estado por conta da produção de café e a segunda fase de força econômica foi até os anos 60 durante o Estado Novo por conta da extração de calcário e da citricultura (produção de frutas cítricas).

O centro dessa região era a Fazenda Engenho Novo. Esse espaço foi palco de uma parte importante da história da cidade já que nomes relevantes passaram por lá como é o caso do Barão de São Gonçalo e também da família Serrado. Vale lembrar que atualmente parte significativa dos moradores são descendentes de escravos que ficaram na região ou conseguiram terrenos após a construção do Assentamento Rural Fazenda Engenho Novo.

Assentamento Rural Fazenda Engenho Novo e a agricultura familiar.

Em 1993 o ITERJ, Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro, desmembrou as terras da Fazenda Engenho Novo. Foram 147 sítios (terrenos separados) criados a partir das terras da Fazenda para o desenvolvimento da agricultura familiar. Fui na região em 2010, 2011 e 2012 para conhecer um pouco mais da área e me surpreendi, já naquela época, com a infinidade de possibilidades que aquela região apresentava como saída para a alimentação e economia de São Gonçalo.

Em 2012, por exemplo, um grupo de agricultores franceses foi conhecer a região da Fazenda Engenho Novo. Os europeus vieram para São Gonçalo para conhecer o programa de assentamentos rurais que produziam frutas, hortaliças, gado de leite e de corte, suíno e avicultura.

Além da organização das terras por parte do ITERJ lideradas pela Secretaria Estadual de Habitação, a EMATER, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro, dava suporte técnico para o desenvolvimento da produção dessas famílias. A EMBRAPA também contribuiu bastante nesse período, mas rapidamente se afastou.

O hoje que ignora o passado e que não tem projeto de amanhã.

Desde o final da gestão de Aparecida a região não recebe a devida atenção. Já escrevi dias atrás o quanto Panisset fez coisas ruins para São Gonçalo, mas é preciso destacar que nesse setor ela conseguiu ser mais eficiente que a média dos Prefeitos da cidade. O Governo Neílton chegou a ter uma ou outra iniciativa, o Nanci chegou a se movimentar através da Secretaria responsável, mas nada que fosse uma política com energia suficiente.

Atualmente o ITERJ continua fazendo algumas ações, mas a realidade é que nossa política de agricultura para aquela região não dá conta da atenção que ela precisa. O município tem feito esforços, o ITERJ tem feito esforços, mas nada que consiga integrar aquela região aos campos econômicos da cidade num volume significativo para um município com mais de um milhão da habitantes.

O Bairro Guaxindiba tem esse nome por conta do Rio Guaxindiba que é o principal rio de São Gonçalo e o Bairro Marambaia significa “Cerca de Guerra” em tupi-guarani. Ambos são bairros que ficam distantes da nossa observação enquanto cidade, mas são fundamentais e estratégicos para o futuro Gonçalense.

Quando olhamos o atual contexto desses bairros, percebemos um esquecimento enorme dos serviços públicos. A distância do centro de São Gonçalo faz com que o atendimento público também esteja distante do ideal ou básico. Apesar do grande número de problemas nos serviços, vou discutir uma questão importante que é a vocação industrial dessa região.

2006 – Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ

Em 2006 o Presidente Lula visitou Itaboraí para lançar a pedra fundamental do COMPERJ. Naquela data o projeto era o maior empreendimento da Petrobras. A expectativa de empregos gerados direta e indiretamente eram mais de 180 mil. Era uma espécie de oportunidade de ouro para as cidades de Itaboraí, São Gonçalo e Tanguá se reorganizarem financeiramente.

Com o início das obras do COMPERJ, o Município de São Gonçalo iniciou a construção de um Polo Industrial que poderia atender a demanda do COMPERJ com um parque industrial que desse conta de produtos, peças e itens necessários para alimentar a cadeia produtiva do complexo petroquímico. Surge então o Polo Industrial de Guaxindiba no bairro que tinha espaço, acessibilidade e proximidade com o COMPERJ.

Oportunidade gerada e a futura frustração.

Com as obras iniciadas pela Petrobras, com a Prefeitura de São Gonçalo conveniada com o Governo do Estado e Federal desenvolvendo o Polo Industrial de Guaxindiba, os bairros de Guaxindiba, Marambaia e da região passaram a se organizar para atender as demandas daquela oportunidade.

A construção civil focada nos alugueis e casas, os empreendedores locais focando em restaurantes e mercados, os cursos preparatórios visando os cursos da cadeia produtiva do petróleo e tudo isso por conta do COMPERJ que naquela época gerou uma expectativa econômica nunca antes vista na região. Tudo acabou com os últimos episódios que fizeram o COMPERJ virar algo totalmente descartável deixando todos os municípios do entorno frustrados.

Vocação Industrial dos Bairros

Guaxindiba e Marambaia tem três coisas importantíssimas para o desenvolvimento industrial; Espaço, acessibilidade e mão de obra. Na última pesquisa Guaxindiba tinha apenas 4 mil moradores com um espaço enorme para ser explorado, Marambaia tinha 20 mil moradores o que significaria um grande volume de mão de obra (trabalho) e os dois bairros juntos teriam acesso para as rodovias estaduais e federais.

O sonho ainda não acabou. O COMPERJ ainda existe e talvez um dia volte a ser potente para dar conta do desenvolvimento regional, mas não vejo nosso planejamento para isso. Estamos cuidando dos acessos desses bairros? Estamos cuidando das questões fundiárias? Estamos conversando com os Ministérios do Governo Federal e com as Secretarias Estaduais sobre um plano de médio e longo prazo pra lá?

Enquanto isso a violência governa.