Mobilidade Urbana Romario Regis

Zé do Boi e Domênico, "abaixa o preço da passagem que pra casa da cheirosa é mó viagem"

Domênico é dono da Viação Mauá, ABC e Icaraí. Já Zé do Boi é dono da Estrela e da Galo Branco. Muito embora o tema do transporte público tenha ficado apagado nos últimos anos, é preciso lembrar que parte do nosso problema de mobilidade é o pouco espírito coletivo das “nossas” empresas de ônibus.

Apesar do avanço em relação ao ar condicionado que foi surpreendente, ainda acho que é pouco quando falamos de mobilidade urbana de uma cidade como a nossa. Transporte serve para conectar o funcionário ao trabalho, mas também conectar as pessoas aos mercados, bancos, boates, bares e o melhor que é a capacidade de conectar você ao seu amor.

Vou contar uma história.

Quando era adolescente me apaixonei por uma menina do Largo da Ideia. Eu morava no Gradim. Na época não existia Uber, táxi era uma fortuna e nem eu e nem ela trabalhávamos. Nosso rolê era ir para Alcântara dar uns beijos e como não tinha Shopping na época, ficávamos numa rua perto do Pandiá Calógeras.

Não demorou muito até que nossa relação ficasse inviável justamente por conta do transporte. Não faltava vontade, mas faltava dinheiro suficiente para atravessar São Gonçalo. Seriam quatro passagens ao todo e para adolescentes sem trabalho, impossível.

Essa história é para dizer que o problema de mobilidade prejudica a vida profissional de uma pessoa, mas inviabiliza as relações sociais de amizade, namoro, afeto, diversão, educação, cultura e todas as outras possíveis. Aceitar e achar normal que o volume de ônibus seja intenso apenas para conectar o funcionário ao trabalho é reduzir e muito nossos direitos.

Sobre o Consórcio São Gonçalo de Transportes

Atualmente temos uma organização de consórcio vigente que não criou as novas linhas necessárias para a cidade, não privilegiou regiões que precisam de um maior volume de ônibus como Itaoca, Santa Luzia, Cala Boca, Jardim Miriambi e regiões próximas. Além disso, ainda possuem uma lógica de poucas linhas para áreas que seriam economicamente estratégicas para a cidade.

O Shopping São Gonçalo que é um polo econômico importante sofre com o fato de que apenas a Estrela pode utilizar aquele percurso. Ao mesmo tempo, quem mora em Itaoca só tem duas linhas para chegar lá e as duas são precárias, demoradas e limitadas. Já na região do Jardim Catarina, Santa Luzia e região, os ônibus passam nas principais, mas não possuem caminhos alternativos para moradores de ruas distantes dessas linhas.

Podemos também juntar a falta de transportes de massa nos níveis municipais como é o caso do BRS, BRT e até mesmo da não-existência de transportes alternativos (gosto de chamar de complementares) para dar conta dessas áreas que não tem demanda para ônibus ou que possuem ruas pequenas.

Pois bem.

Acredito muito na liderança de poder executivo e fiscalização do poder legislativo para melhorar o transporte de uma cidade, mas é inegável que as empresas de ônibus da cidade fazem o possível para não dar qualidade para nossa mobilidade. Não são participativos nas decisões positivas para São Gonçalo, não renovam as frotas nas datas corretas e quase sempre descumprem as regras (poucas) do consórcio que são necessárias para dar algum conforto para nós.

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