Nós por Nós e Rede Emancipa; a luta por uma educação acessível e de qualidade nas periferias gonçalenses

Emancipar: Tornar-se livre, independente. Segundo a filosofia, emancipação é a luta das minorias pelos seus direitos de igualdade ou pelos seus direitos políticos enquanto cidadãos. Neste contexto surgem alguns movimentos que lutam por esses objetivos, tendo como motivação principal a educação. 

Hoje serão pontuados dois deles. O Rede Emancipa e o pré-vestibular Nós por Nós- Por uma educação emancipadora nas periferias.

Nós por Nós- Por uma educação emancipadora nas periferias

Ativo há quatro anos no Jardim Catarina, em São Gonçalo, o pré-vestibular Nós por Nós (NPN), é administrado pelo coletivo do mesmo nome, por voluntários e alguns ex-alunos do Colégio Estadual Trasilbo Filgueiras, onde acontecem as aulas aos sábados. 

Pelos menos 150 alunos e 40 voluntários já fizeram parte dessa história. Uma das estudantes da turma de 2017, Liana Santos, de 25 anos, passou para o curso de Ciências Sociais na Uerj e hoje integra a coordenação do projeto.  

“Fui movida pelo sentimento de retorno. O pré foi um divisor de águas na minha vida, pois sempre quis entrar em uma universidade. Já realizava trabalho voluntário antes de participar do nós por nós, acredito no poder do trabalho social e nas transformações que a educação pode fazer, sobretudo numa favela como o Catarina, que por vezes é marcada pela ausência e pelo esquecimento. O pré foi um trabalho no qual eu vi um resultado real, fui seduzida. Não vi outra saída a não ser fazer parte”, contou.

Enquanto uma região que é lembrada por não-moradores apenas pela insegurança, os moradores e ativistas da comunidade reforçam e unem forças para contribuir na transformação dessa realidade. Vale ressaltar que este é o primeiro pré-vestibular no Jardim Catarina após 30 anos. Como o projeto é 100% voluntário, os professores em sua maioria são graduandos e não possui nenhum auxílio do governo municipal o pré cobra uma mensalidade de valor simbólico para ajudar nos custos, no entanto há isenção para aqueles alunos que declaram não ter condições de arcar com o custo. 

A coordenadora Marcyllene Maria de 23 anos, contou que um dos objetivos futuros é que o pré-NPN também possa ser gratuito e falou sobre as dificuldades atuais. 

“A nossa maior dificuldade é conseguir mostrar para as próprias pessoas da comunidade o que acontece e o resultado do pré aqui dentro. Mostrar como ele é importante e necessário para que eles mesmos possam chegar a outros patamares. Também tem a questão do espaço físico, né. A escola cede pra gente uma sala, mas é um sonho ter um lugar nosso para as aulas acontecerem”, disse. 

Para mais informações acesse a página.

Rede Emancipa 
O que começou há 12 anos com um cursinho pré-universitário em Itapevi, São Paulo, hoje já tem proporção nacional e contabiliza 60 unidades, em nove estados, em todas as regiões do país. Quatro delas funcionam há três anos em São Gonçalo nos bairros de Santa Luzia, Neves, Porto Novo e Portão do Rosa. 

As aulas que começam no início do ano letivo e encerram sempre na data final do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prometem trazer muito mais do que um preparo para entrar nas universidades. De acordo com o coordenador e professor de geografia, Márcio Ornellas, de 30 anos, o Rede Emancipa traz importantes reflexões para os seus alunos sobre a educação no país. 

“Não somos um pré-vestibular comum porque não temos só essa pegada de colocar o aluno na universidade. A gente se reivindica como movimento social de educação popular. Todo movimento social tem também uma perspectiva política porque luta por algumas bandeiras e pra gente, é o acesso a universidade de forma irrestrita. Temos como principal bandeira uma educação totalmente pública e de qualidade”, ressaltou Márcio que já atua há três anos no projeto.

Fazendo jus a bandeira levantada, toda a iniciativa é gratuita. Os alunos não pagam pela mensalidade, nem mesmo pelos materiais que recebem durante os estudos, facilitando ainda mais o acesso para população baixa renda. Além do trabalho destes cursos pré-vestibulares o Rede Emancipa também trabalha junto aos jovens que estão em situação de privação de liberdade no Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (DEGASE).

A grandeza do Rede Emancipa está comprovada também nos números. Em uma visão nacional, foram diversos aprovados nas universidades e mais de 1.500 voluntários trabalhando para o crescimento e fortalecimentos de um curso acessível e transformador. 

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