Segurança Pública

Intervenção Federal é basicamente um “ei, bandidos, podem ir pra São Gonçalo”.

Intervenção federal é quando o Governo Federal quebra a autonomia do Governo Estadual e passa a comandar determinado órgão. No caso do Rio, a quebra é parcial e o Governo Federal, mas exatamente o General Walter Braga Netto, Integrante do Comando Militar do Leste, passa a comandar todas as operações das polícias comandadas pelo Estado.

Pois bem.

O Estado do Rio de Janeiro está um caos. Graves problemas políticos e uma insegurança absurda projetada nos assaltos, assassinatos, confrontos e mortes de policiais e inocentes. O Governador Pezão assume publicamente que não sabe mais o que fazer em relação ao tema e terceiriza as responsabilidades para o Governo Federal. Na teoria o projeto de intervenção é perfeito, mas na prática irá aumentar o número de militares no Estado do Rio de Janeiro através do exército, aeronáutica e marinha com um maior foco na capital Rio de Janeiro.

Lembro da instalação das UPP’s, lembro da Copa do Mundo e lembro das Olimpíadas. Apesar de toda a narrativa de um “projeto político” de redução do crime organizado, a falta de inteligência para prender os bandidos gerou uma migração da violência para municípios como São Gonçalo, Itaboraí e outros da região. Hoje não será diferente. A Intervenção Federal, apesar de teoricamente fazer sentido, ignora o fato de que o Estado do Rio de Janeiro vai além da Zona Sul e da cidade do Rio de Janeiro.

Não precisa ser muito inteligente pra perceber que a violência cresceu nos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro a reboque da falta de policiamento, inteligência e outras políticas públicas na região. A culpa não é dos policiais, a culpa não é da população. A culpa é do Governo do Estado e dos responsáveis pela ampliação do confronto em territórios hostis em detrimento de uma política de médio prazo de inteligência para prender criminosos.

O confronto é necessário? Lógico que sim. Mas o confronto é um dos sintomas de uma falta de planejamento de décadas nessa área. Isso piora para a nossa cidade, gera um desconforto ainda maior pois a maioria da população já está vulnerável, uma polícia local que já não tem estrutura e nem efetivo para dar conta e de um “plano de intervenção” que não leva em consideração que o ESTADO DO RIO DE JANEIRO não é apenas o eixo Barra da Tijuca, Zona Sul e Centro.

Enquanto cidade, enquanto região precisamos incluir nossas demandas nesses “pacotes” de cima pra baixo produzidos por Ministros, Senadores, Deputados e Secretários Estaduais que NUNCA pisaram em São Gonçalo pra conversar com consistência com a gente. A visão “riocentrista” de que as políticas federais precisam ser iniciadas e focadas na capital, geram, de maneira geral, uma anomalia escrota de não pensar o Estado como Estado e sim como um amontoado de cidades que alimentam uma capital também em crise.

Não vi o plano. Posso estar errado e torço para estar errado. Fui assaltado duas vezes em uma semana esse mês e sou vítima dessa falta de políticas públicas de segurança, mas não dá para acreditar que simplesmente mudar o comando de uma polícia sem estrutura, sem carros, sem armas, sem boas remunerações e colocando o exército em vias principais vá resolver o problema.

É preciso prender. É preciso treinar e melhorar a qualidade da polícia que também sofre com isso. É preciso eleger gente que não assuma e no meio do mandato fale que “não sabe mais o que fazer”.

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