Cultura

A Porto da Pedra é a figura do Gonçalense Trabalhador.

Assisti a Porto da Pedra e encontrei a projeção do Gonçalense nela. Encontrei o camelô de Alcântara, o universitário da FFP que trabalha com telemarketing, o pedreiro que bebe antes de ir pro trabalho, o empresário que tem sonho de morar em icaraí, o artista que vive andando pela pista de caminhada e todo tipo de figura trabalhadora que constrói a cidade.

Quando assisto a Porto da Pedra, é como se eu estivesse pegando um ônibus no Jardim República descendo na Zé Garoto pra subir em outro “busão” sentido Neves. A Porto da Pedra é a janela do nosso ônibus de cada dia. O samba tocado na Porto da Pedra lembra o sorriso de quem sofre com a falta de infra-estrutura de uma cidade historicamente pobre, mas que insiste em ser feliz.

Quem carrega o carro no calor e na alegria é o mesmo que carrega a economia da cidade. Quem dança e samba como casal de mestre sala e porta bandeira é o mesmo casal que constrói os amores e paixões dos casais que fazem book de noivado na Zé Garoto. Quem monta as coreografias da Comissão de Frente são os mesmos que ensaiam uma vida difícil de acordar cedo e dormir tarde pra conciliar as contas pagas com o sorriso do entretenimento.

O Rio de Janeiro tem o Cristo, tem Ipanema. São Paulo tem a Paulista. Nós temos a Porto da Pedra. Para além de uma escola, é um monumento público que nós, como gonçalenses, temos o dever cívico de defender independente da nossa posição social. Escola essa que gerou músicos, artistas, bailarinos, costureiras, empresários, vereadores e que faz, todo período de carnaval, o nosso coração balançar com a expectativa de subir novamente para o Grupo Especial.

A nossa vida é assim. A vida do Gonçalense é assim. É a luta pra gente junta um dinheiro, conseguir um trabalho melhor, comprar uma roupa de marca, encontrar um amor para enfim, chegar nesse tal grupo especial. Esse foi mais um ano que a Porto da Pedra não chegou no Grupo Especial, mas foi mais um ano que a nossa escola deu pra nós um respiro e uma esperança que a gente precisa continuar pra no ano que vem a gente subir de degrau.

Nós, na vida. A Porto da Pedra, no grupo especial.

um comentário

  1. Show, lindo texto e grande realidade, a escola vai com garra pra avenida, o calor não é de estação do tempo ( verão) o calor é humano, o amor pela escola, dedicação, samba no pé e na boca, merecemos sim, estar de volta ao grupo especial, esperança nossa de todos os anos.

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