Matéria produzida pelo Jornal o Fluminense em 19/02/2018. 

Começou no final da tarde desta segunda-feira (19) a operação nas divisas do Estado e em áreas consideradas estratégicas pelas forças de segurança, na Região Metropolitana do Rio. As Forças Armadas estabeleceram pontos de bloqueio, controle e fiscalização de vias urbanas nos acessos rodoviários ao Estado do Rio, na BR-101, divisas ao norte e ao sul do Estado.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança, em São Gonçalo, homens das Forças Armadas atuaram inclusive em áreas próximas da comunidade do Salgueiro e no bairro do Jardim Catarina; na BR-116, nas divisas nordeste e ao sul do Estado, além de trechos da Baixada Fluminense; e na BR-040, nas divisas a oeste do Estado. Além desses locais, realizam patrulhamento ao longo do Arco Metropolitano.

Estão disponíveis para as operações três mil militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), com apoio de veículos blindados e aeronaves.

Algumas vias e acessos nas áreas de operações podem ser interditados e setores do espaço aéreo poderão ser controlados, oportunamente, com restrições dinâmicas para aeronaves civis. Não há interferência nas operações dos aeroportos.

Ainda segundo a pasta, as instituições envolvidas nas operações estão acompanhando e orientando, em tempo integral, os desdobramentos no Comando Militar do Leste.

Intervenção federal é quando o Governo Federal quebra a autonomia do Governo Estadual e passa a comandar determinado órgão. No caso do Rio, a quebra é parcial e o Governo Federal, mas exatamente o General Walter Braga Netto, Integrante do Comando Militar do Leste, passa a comandar todas as operações das polícias comandadas pelo Estado.

Pois bem.

O Estado do Rio de Janeiro está um caos. Graves problemas políticos e uma insegurança absurda projetada nos assaltos, assassinatos, confrontos e mortes de policiais e inocentes. O Governador Pezão assume publicamente que não sabe mais o que fazer em relação ao tema e terceiriza as responsabilidades para o Governo Federal. Na teoria o projeto de intervenção é perfeito, mas na prática irá aumentar o número de militares no Estado do Rio de Janeiro através do exército, aeronáutica e marinha com um maior foco na capital Rio de Janeiro.

Lembro da instalação das UPP’s, lembro da Copa do Mundo e lembro das Olimpíadas. Apesar de toda a narrativa de um “projeto político” de redução do crime organizado, a falta de inteligência para prender os bandidos gerou uma migração da violência para municípios como São Gonçalo, Itaboraí e outros da região. Hoje não será diferente. A Intervenção Federal, apesar de teoricamente fazer sentido, ignora o fato de que o Estado do Rio de Janeiro vai além da Zona Sul e da cidade do Rio de Janeiro.

Não precisa ser muito inteligente pra perceber que a violência cresceu nos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro a reboque da falta de policiamento, inteligência e outras políticas públicas na região. A culpa não é dos policiais, a culpa não é da população. A culpa é do Governo do Estado e dos responsáveis pela ampliação do confronto em territórios hostis em detrimento de uma política de médio prazo de inteligência para prender criminosos.

O confronto é necessário? Lógico que sim. Mas o confronto é um dos sintomas de uma falta de planejamento de décadas nessa área. Isso piora para a nossa cidade, gera um desconforto ainda maior pois a maioria da população já está vulnerável, uma polícia local que já não tem estrutura e nem efetivo para dar conta e de um “plano de intervenção” que não leva em consideração que o ESTADO DO RIO DE JANEIRO não é apenas o eixo Barra da Tijuca, Zona Sul e Centro.

Enquanto cidade, enquanto região precisamos incluir nossas demandas nesses “pacotes” de cima pra baixo produzidos por Ministros, Senadores, Deputados e Secretários Estaduais que NUNCA pisaram em São Gonçalo pra conversar com consistência com a gente. A visão “riocentrista” de que as políticas federais precisam ser iniciadas e focadas na capital, geram, de maneira geral, uma anomalia escrota de não pensar o Estado como Estado e sim como um amontoado de cidades que alimentam uma capital também em crise.

Não vi o plano. Posso estar errado e torço para estar errado. Fui assaltado duas vezes em uma semana esse mês e sou vítima dessa falta de políticas públicas de segurança, mas não dá para acreditar que simplesmente mudar o comando de uma polícia sem estrutura, sem carros, sem armas, sem boas remunerações e colocando o exército em vias principais vá resolver o problema.

É preciso prender. É preciso treinar e melhorar a qualidade da polícia que também sofre com isso. É preciso eleger gente que não assuma e no meio do mandato fale que “não sabe mais o que fazer”.

Considerado um dos principais nomes da nova geração do cinema do Leste Fluminense, e com uma carreira extremamente interessante, o gonçalense Alberto Sena, de 49 anos, vai se consolidando como o principal responsável por representar São Gonçalo e a região num espaço importante que é a Academia Brasileira de Cinema.

Fundador do Coletivo Ponte Cultural (saiba mais aqui), roteirista, ator e diretor, Alberto transforma a dificuldade econômica da região em oportunidade para construir um novo olhar sobre a região. Apesar de vários nomes envolvidos com o cinema brasileiro, a região nunca consolidou uma cena nessa área. Festivais, clubes de cinema e produções sempre foram feitas inclusive em nível nacional, mas a entrada de um nome na Academia Brasileira projeta a institucionalidade da nossa importância como cadeia produtiva do cinema nacional.

Fazer parte da Academia Brasileira de Cinema é uma oportunidade de estar perto de quem pensa o cinema como algo maior que o entretenimento. Fiquei feliz quando me tornei sócio da Academia. São Gonçalo tem potencial no campo do audiovisual e eu quero muito ajudar nesse processo. Nós somos muito mais do que aquilo que nos fizeram acreditar um dia.“, disse Alberto Sena.

O que é a Academia Brasileira de Cinema?

A Academia Brasileira de Cinema, com sede no Rio de Janeiro, foi criada no dia 20 de maio de 2002 com a finalidade, entre outras, de instituir o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e contribuir para a discussão, promoção e fortalecimento do cinema como manifestação artística, ajudando, desta forma, a fortalecer a indústria cinematográfica brasileira. Hoje são mais de 200 sócios.

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Ficha de Alberto Sena

Curtas Metragens

  • ÓBICE – Janeiro 2014 – Roteiro e Atuação – Vencedor do Festival o Cubo de Cinema no Rio de Janeiro em 2015 e selecionado para o festival de filmes underground em Munich na Alemanha também em 2015. Clique Aqui para ver.
  • OLHOS DE ANJO – Abril 2014 – Produção, Direção de Arte e Atuação Selecionado para o Festival Johnny Walker 2014
  • MARCO ZERO – Junho 2014 – Produção e Atuação – Selecionado para o Festival o Cubo de Cinema 2015
  • JOCKER – Julho 2014 – Atuação – Curta Universitário para PUC
  • AZUL – Julho 2015 – Atuação – Conclusão de Período na escola de cinema Darcy Ribeiro
  • A FUNDO – Julho 2015 – Atuação – Conclusão de Período na escola de cinema Darcy Ribeiro
  • ONDE ESTÁ CAZUZA – Dezembro 2015 – Roteiro, Produção, Atuação e Direção de Arte (Em Pós-Produção) Lançamento em Março de 2016
  • MILAGRE DE NATAL – Dezembro 2015 – Roteiro, Produção, Direção e Direção de arte https://www.youtube.com/watch?v=-h0HWZkAPWk

Longas Metragens

  • NÃO SE ESQUEÇA DE FECHAR A JANELA – Agosto 2015 – Roteiro e Atuação – Projeto desenvolvido pelo Instituto Cultural Kreatori  – Lançamento em Maio de 2016
  • VERSÍCULO – Outubro 2015 – Roteiro, Produção, Atuação e Direção de Arte (Em Pré Produção) – Lançamento previsto para Setembro de 2016.

 Canal AXN

  •  SANTO FORTE – Agosto 2015 – Atuação
  • Série Produzida por Roberto D’avila da Moonshot.

Sempre que assisto a Porto da Pedra, encontro a projeção do Gonçalense na escola. Encontrei o camelô de Alcântara, o universitário da FFP, o pedreiro, o empresário que tem sonho de morar em Icaraí, o artista que vive andando pela pista de caminhada e todo tipo de figura trabalhadora que constrói a cidade.

Quando assisto a Porto da Pedra, é como se estivesse pegando um ônibus no Jardim República e descendo na Zé Garoto para subir em outro “busão” sentido Neves. A Porto da Pedra é a janela do nosso ônibus de cada dia. O samba tocado na Porto da Pedra lembra o sorriso de quem sofre com a falta de infraestrutura de uma cidade historicamente pobre que insiste em ser feliz.

Quem carrega o carro no calor, na chuva, na tristeza e na alegria é o mesmo que carrega a economia da cidade. Quem dança e samba como casal de mestre sala e porta bandeira é o mesmo casal que constrói os amores e paixões dos casais que fazem book de noivado na Zé Garoto. Quem monta as coreografias da Comissão de Frente são os mesmos que ensaiam uma vida difícil de acordar cedo e dormir tarde para conciliar as contas pagas com o sorriso do entretenimento.

O Rio de Janeiro tem o Cristo, tem Ipanema. São Paulo tem a Paulista. Nós temos a Porto da Pedra. Para além de uma escola, é um monumento público que nós, como gonçalenses, temos o dever cívico de defender independente da nossa posição social. Essa escola gerou músicos, artistas, bailarinos, costureiras, empresários, vereadores e faz, em todo período de carnaval, o nosso coração balançar com a expectativa de subir novamente para o Grupo Especial.

A nossa vida é assim. A vida do Gonçalense é assim. É a luta para gente juntar um dinheiro, conseguir um trabalho melhor, comprar uma roupa de marca, encontrar um amor para enfim chegar nesse tal grupo especial. Esse ano é mais um ano de disputa para chegar no Grupo Especial e que seja mais um ano de muito orgulho para todos nós.

Nós, na vida. A Porto da Pedra, no grupo especial.

Era o primeiro carnaval de Luiz fora do olhar dos pais. Acostumado a viver nos carnavais dos bairros, era a primeira vez que ele visitaria blocos e festas desse período. Luiz era do Francisco de Paula Achilles e participava do Grêmio Estudantil. Depois de longas férias lutando contra o fechamento da escola, enfim um respiro no carnaval. Estava descobrindo a sua adolescência e resolveu ir no Bloco das Piranhas no Mauá. Pintou o cabelo de amarelo, se vestiu de mulher, passou maquiagem e foi.

No caminho pensava na vida e em como seria encontrar os amigos pra curtir o primeiro Bloco das Piranhas do Mauá. Saindo quase do ponto final do Anaia, assistia as pessoas entrando no ônibus com garrafas de Cantina da Serra, Latões de Antártica e fantasias quase sempre muito estranhas.

Passou o SESC e ele desceu.

Andando meio sem jeito e sem localizar os amigos, ia se encantando com o universo do Carnaval. Ambulantes, homens fantasiados de mulher, mulheres fantasiadas de homens, bêbados e ele lá, parado em frente a Unimed fantasiando o primeiro momento de total liberdade no Carnaval.

Aos poucos os passos iam ganhando um gingado por conta da vodka falsificada , o bolso ia ficando mais leve por conta do furto da carteira que só repararia quando fosse voltar pra casa e a alegria ia se misturando com o suor, purpurina e fedor de mijo da frente da linha de trem.

Seus amigos continuaram caminhando e ele parou. Já não sabia mais onde estava por conta de Lorena. Até então ele não sabia seu nome, mas pelo seu olhar parecia que a paixão era antiga. Ele acabado por conta do sol e suor e ela linda com uma garrafa de Mad Dog na mão. Ele de tamanco, asa de borboleta e vestido de pantera. Ela com blusa da 1Kilo, tatuagem na coxa e cabelo black.

Sem jeito, Luiz não sabia como chegar nela. Em 20 minutos, passou 5 vezes e ela já tinha reparado e gostou. Olhares trocados até que ela parou na frente dele, gingou ao som de baile do jaca e beijou. Beijou e beijou até nenhum dos dois terem mais batom. Foi o primeiro beijo de carnaval de Luiz. Abraçados no meio da multidão e próximos do trio Sakulejo, eles iam rindo sozinhos da situação.

Luiz, sem graça, perguntava “- Qual seu nome?”. Lorena um pouco mais velha e acostumada com o Castelo das Pedras ria da vergonha dele. Lorena então se aproxima, dá o último beijo e pede pra ele anotar seu whatsapp no celular.

“- Anota aí Luiz, o número é …” . Ele anota, sorri e se despede.

Encontrando seus amigos, conta da história, do por quê sumiu e aguarda ansiosamente para chegar em casa e usar o sinal de wi-fi. Luiz chega correndo em casa e liga o celular para mandar mensagem. O whatsapp atualiza e o número de Lorena não aparece. Ele toma banho pra aguardar mais um pouco.

Enquanto isso, Lorena está no UBER com outro cara e contando pra amiga no whatsapp como foi ficar com o menino do Anaia e que passou o telefone errado por que não queria nada com ele.

E assim foi o primeiro beijo entre Lorena e Luiz. Um beijo de Carnaval.

Alberto Sena e Marcos Moura são dois pensadores importantes pra cultura gonçalense. Não falo de intelectuais chatos, desses que ficam na academia pensando as coisas sem interferir no mundo. Eles vão além. Pensam, discutem e impactam o ambiente que vivem seja através de discussões públicas, ações e propostas ou do questionamento cidadão.

No meio da caminhada profissional de Alberto e Marcos, inventaram o Coletivo Ponte Cultural. Se trata de um projeto que incentiva e atrai a população de São Gonçalo e Itaboraí para acessar gratuitamente projetos, eventos e formações no campo da cultura. Seu projeto se traduz através do Sarau Ponte Cultural que rola no bairro Apollo, através do Cine Tamoio que é um Festival de cinema, através de cursos de audiovisual, cinema, teatro, dança, etc.

Romario Regis - Alberto Sena e Marcos Moura

Nessa última quarta visitei o escritório deles que fica localizado na Av. Afonso Sales 206 – Sala 309 – Apolo II. São duas salas e um terraço. Uma sala é de escritório administrativo e a outra é uma sala de aula. O terraço, espaço com uma vista linda, é um dos espaços mais incríveis que já vi numa periferia por ser o ponto mais alto de um bairro plano. Conversamos sobre dois pontos importantes;

1 – A falta de políticas públicas mais concretas na região limítrofe entre São Gonçalo e Itaboraí. 

São Gonçalo e Itaboraí são cidades com uma dificuldade orçamentária absurda e os bairros que dividem essas cidades historicamente possuem pouco acesso às políticas públicas da região. Escolas, postos de saúde, projetos, Centros de Referência e todo tipo de aparelho público não é só de uma cidade, é sempre das duas.

No campo da cultura não é diferente. Mesmo o Ponte Cultural tendo sua sede em Itaboraí, a maioria dos usuários são de São Gonçalo, ou seja, não dá pra pensar o desenvolvimento da nossa cidade sem pensar no desenvolvimento e geração de oportunidades para a região. Se na cultura é assim, por que não pensar na integração de serviços nas áreas da saúde, segurança, assistência social, educação?

No fim da conversa, fiquei pensando no desenvolvimento de consórcios que possam reduzir custos para ambos os municípios. Lembrei de experiências como Agenda 21, do Conleste e outras redes que precisam ser fortalecidas para esse tipo de reflexão vire política pública.

2 – Como usar a região limítrofe para começar a desenvolver as cidades.

Romario Regis - Praça do ApoloSão Gonçalo se desenvolveu a partir de Neves e depois Centro e Alcântara. Já Itaboraí teve seu desenvolvimento a partir da BR101. Ambas as cidades não planejaram seu crescimento e isso fica visível na desorganização de ambas as cidades como eu já comentado o texto “Sem rodovias se encontrando, não existe desenvolvimento em São Gonçalo“. Pensar no desenvolvimento da região a partir desses bairros é pensar em desafogar o centro e diminuir as fronteiras com os vizinhos.

Como São Gonçalo poderia criar um novo eixo econômico próximo de Manilha para que aquela região possa ser mais potente e tire um pouco da desorganização que Alcântara já tem? Como seria possível avança no desenvolvimento de Indústrias nas divisas de Gebara e Guaxindiba, Apolo e Marambaia, Largo da Ideia e Pitanga, entre outros bairros?

Assim como foi a concepção do COMPERJ em que cada município ficaria com uma parte do desenvolvimento desse empreendimento, poderíamos pensar em trabalhos combinados em que uma empresa pudesse instalar sua base de fabricação em um município e a distribuidora em outro com incentivos de ambos os municípios entre outras experiências econômicas.

“São Gonçalo e Itaboraí são primas” – Marcos Moura

Foi um bom dia. Conhecer novas iniciativas da nossa região e entender que as pequenas experiências precisam virar políticas públicas. Não existe saída para uma região com pouca economia que não seja a partir das pequenas experiência de empreendedores de diversas áreas. O Coletivo Ponte Cultural é uma experiência que captura iniciativas no Rio, em Niterói e em outros Estados e adapta para realizar na nossa região. O Coletivo Ponte Cultural é o Peter Pan da Cultura.

Sou apaixonado por Mobilidade Urbana. Tenho um mapa gigante da cidade guardado a quatro chaves. Quando penso algo sobre a infra, geografia ou mobilidade, abro ele no chão e começo a refletir sobre nossos desafios locais e regionais a partir do nosso território.

Sei que existe um debate sobre as Barcas, Metrô e BRT que estão impregnados dentro de um imaginário popular de lutas e de uma agenda necessária para o desenvolvimento da cidade. Ao mesmo tempo é preciso compreender o sistema de mobilidade agregado às demandas econômicas, sociais e estratégicas pra recuperação básica das contas públicas e uma facilitação para que a indústria e o comércio se instalem por aqui.

Nesse texto irei discutir apenas as Rodovias da cidade. Barcas, Metrô, BRT e outros modais ou sistemas são debates transversais em relação às rodovias, mas não é o foco dessa reflexão. Entendidos? rs.

BR101 e RJ104 – Rodovias importantes, mas que não cumprem um papel estratégico  contemporâneo para a cidade. 

São Gonçalo sempre foi uma cidade que alimentou outras cidades com mão de obra. A maioria das políticas de mobilidade da cidade foram pensadas a partir do deslocamento de pessoas para outros centros urbanos, especialmente para as últimas duas capitais do Estado, Rio de Janeiro e Niterói.

Apesar de parte significativa de algumas rodovias passarem por São Gonçalo, elas não conectam os nossos centros comerciais aos acessos para outros municípios. Temos um ponto de encontro entre rodovias em Tribobó, mas que não tem desenvolvimento local para atender demandas comerciais de outros municípios. Paralelo a isso, a RJ104 e a BR101 não possuem nenhuma conexão dentro da nossa cidade e os dois pontos de encontro que elas possuem são; em Niterói (descida da ponte) e Itaboraí (manilha). Perceba que tanto Niterói e Itaboraí, no entorno dos encontros dessas rodovias, possuem caminhos para seus centros comerciais.

Niterói, por ter sido capital, já tem uma estrutura pensando nesse escoamento a partir das rodovias. O Bay Market, as barcas e o terminal rodoviário viraram um centro econômico que gera muitos postos de trabalho e impostos por conta do comércio. É provável que a maior parte do consumo daquela região seja feita justamente por gonçalenses que precisam parar nesse espaço para mudar de modal ou por não ter uma alternativa de centro econômico na sua cidade conectado com as nossas rodovias.

Já Itaboraí tem uma estrutura muito precária quando a gente pensa na projeção de cidade. O COMPERJ poderia qualificar a cidade, mas sua quebra fez com que Itaboraí voltasse muitos anos atrás. Mesmo assim, Manilha, por ser um ponto que conecta duas rodovias, conseguiu agregar valores econômicos naquela região. Tem uma micro-rodoviária, comércio local, postos de gasolina, mercados e centenas de práticas informais por conta da pausa que os usuários das rodovias fazem seja vindo pela BR ou pela RJ.

A partir dessas reflexões anteriores, minha opinião é que a BR e a RJ não cumprem um papel estratégico para o momento da cidade. Uma cidade com mais de 1,2 milhões de habitantes não pode ter duas rodovias desse porte que tem seu funcionamento quase que por completo baseado na circulação de pessoas.

Seria Alcântara esse esse ponto de encontro?

Formulamos muito mal as políticas públicas e os estudos sobre a nossa cidade e isso faz com que qualquer reflexão seja frágil do ponto de vista teórico. A minha é. Podem discordar pois estou levantando uma discussão. Não se trata de uma tese, mas de uma reflexão muito precária.

Pois bem.

Acho o crescimento desorganizado de Alcântara terrível e vejo poucas alternativas para aquela região que não seja proibir novas construções e criar uma política de longo prazo para remover/reorganizar parte dos prédios e empreendimentos. Não vou me aprofundar nesse debate nesse momento, mas será um tema que vou desenvolver em algum momento.

Duas das poucas vocações momentâneas que vejo para Alcântara são; organizar a informalidade do bairro para aumentar a arrecadação do município e; Criação de uma conexão mais clara da RJ104 com o acesso à BR101.

O Viaduto de Alcântara, para além de ser horrível, perigoso, nojento, é uma via de fazer o dinheiro sair de São Gonçalo sem estacionar mesmo que pouco. Estamos em 2018 e nosso principal polo de arrecadação de impostos tem um viaduto que faz as pessoas não passarem dentro dele. Temos duas rodoviárias privadas que além de não terem nenhuma conexão, não cumprem NENHUMA função estratégica pra mobilidade da cidade a não ser a ampliação imediata da arrecadação de uma ou outra empresa.

Acredito que a médio prazo Alcântara poderia ser esse local, mas seria necessário a remoção de diversos empreendimentos que precisam ser realocados, mas que sim, teriam que sair como TODA CIDADE EM DESENVOLVIMENTO FAZ. A criação de uma rodoviária de médio porte, a organização daquele espaço para que o comércio arrecadasse com mais segurança, limpeza e uma estética mais agradável poderia ser um caminho.

Pra São Gonçalo conseguir desenvolvimento, precisa destruir parte da cidade.  Pra São Gonçalo conseguir desenvolvimento, precisa aproximar as rodovias.

É óbvio que existem outras dezenas de fatores e questões que iriam ampliar o desenvolvimento da cidade, mas elegi as rodovias para esse texto. Ao fim do texto (que escrevi sem planejar), percebo que o mínimo e o básico da melhoria da nossa cidade precisa ser feita através de MUITA REMOÇÃO.

Nossas vias são muito ruins, nossos acessos são muito ruins. O Centro de São Gonçalo é mal planejado. Alcântara é mal planejada. O Colubandê que se coloca como um novo centro é mal planejado e tudo que vai sendo construído por aqui vai virando uma gambiarra dentro de um sistema de vias que não tem como contribuir para o crescimento do nosso território.

É preciso remover empreendimentos pra abrir vias principais. É preciso remover empreendimentos pra criar novas entradas e saídas para a cidade. É preciso remover quilômetros de casas, lojas e empreendimentos pra conectar DE VERDADE a BR101 até a RJ104 e infelizmente não vejo essa possibilidade a curto e médio prazo por conta da demanda financeira que isso custaria.

O baixo número de multinacionais, de investidores e do próprio momento do Brasil fazem esse meu texto parecer uma piada, mas essa é uma reflexão necessária pra gente ir desenhando políticas públicas que tenham um objetivo ao fim do percurso.

Comecei otimista. Terminei triste. Espero poder participar desses debates ou pelo menos saber que eles começaram antes da minha morte. Que um dia a gente tenha dinheiro, financiamento privado e público e um plano de cooperação entre os entes federativos pra gente pensar na nossa cidade para além do buraco na rua.