Adoraria começar esse texto falando sobre a história da Fazenda Colubandê, mas deixo esse conteúdo para o Luciano Tardock do Memória de São Gonçalo que é um dos projetos mais interessantes que debate o resgate histórico gonçalense, mas como um “comunicólogo”, vou tentar localizar a Fazenda Colubandê dentro da demanda contemporânea da cidade.

A Produção Cultural e Patrimonial Gonçalense sempre foi um excedente a ser carregado como uma “mala sem alça” pelo sistema público (municipal, estadual e federal) ao longo de todos os anos. Mesmo durante a gestão de Secretários Municipais, Estaduais ou Ministros sensíveis ao tema, continuamos perdendo patrimônios históricos, casarões e  investimentos assim como várias cidades das periferias do Brasil. Resumindo: Cultura nunca foi uma prioridade na nossa cidade mesmo sendo um setor produtivo importante para a economia local.

Romario Regis - Fazenda Colubandê

Voltando ao ano de 2012, quando a Fazenda foi abandonada, vários artistas, produtores e pessoas ligadas ao tema começaram a se movimentar para sua reabertura. Foram reuniões, textos, pesquisas, artigos e eventos  que desembocaram no projeto “Fazenda Colubandê – Quem Ama Cuida” em 2014, projeto de ocupação cultural que reivindicava investimentos nesse patrimônio a partir da centralidade da cultura.

Romario Regis - Governador Pezão na FazendaAlgumas sinalizações por parte do Governo do Estado foram feitas. Destaque para a promessa do Governador Pezão que em 2013 (ainda como vice-governador) apontava a construção de duas escolas, uma de ensino técnico e outra de segundo grau, e uma biblioteca no espaço, garantindo o espaço do casarão como uma referência regional para o campo da cultura e para os artistas locais.

Chega 2014 e já de maneira consolidada, o movimento “Fazenda Colubandê – Quem ama cuida” realiza um Piquenique Cultural com dezenas de instituições, coletivos, movimentos e grupos envolvidos na defesa da reabertura e manutenção cultural desse patrimônio.

Esse breve relato até 2014 (que continuou até hoje) da atuação dos movimentos sociais gonçalenses na defesa da Fazenda é uma narrativa necessária para posicionar a Fazenda Colubandê como uma das principais lutas do movimento cultural gonçalense. A Fazenda seria um dos nossos principais espaços de encontro e convívio como é o Solar do Jambeiro em Niterói, o Parque Laje no Rio de Janeiro.

As lutas continuaram. Outros eventos aconteceram, outros grupos se mobilizaram, matérias em diversos jornais foram feitas e um real avanço só foi encaminhado no final de 2017 através do empenho de André Lazaroni, o atual Secretário Estadual de Cultura.

André Lazaroni assumiu a Secretaria de Estado de Cultura no começo de 2017. Desde então, se comprometeu em ouvir os segmentos culturais e um deles foi o da Ocupação da Fazenda Colubandê (fica o agradecimento para Cleise Campos que tem sido incansável nesse debate). A partir dessa escuta e da oportunidade de reiniciar o POC,  Programa de Ocupação Cultural, a reabertura da Fazenda virou uma possibilidade real.

O Programa de Ocupação Cultural tem como objetivo a identificação de imóveis ociosos, e/ou fora de uso de propriedade do estado do rio de janeiro para destinação de fins culturais, como instalação de salas de leitura, e/ou de espaço multi cultural que agrupe a realização de atividades das variadas linguagens artísticas, ou de atividades no âmbito do audiovisual, ou atividades do âmbito das artes visuais, ou atividades no âmbito de espaços de memória.”

Lazaroni afirmou durante um encontro regional em São Gonçalo (4 de julho) que reabriria a Fazenda Colubandê através de uma parceria público privada aproveitando a Lei de ICMS. A partir desse apontamento, a equipe da Secretaria Estadual de Cultura começou a se articular e convidou e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo para desenhar uma parceria para esse processo de ocupação elegendo a eu e Verônica Inaciola para coordenar a construção desse projeto.

Romario Regis - André Lazaroni

Construímos o projeto (a partir do acúmulo de 5 anos de atividades dos movimentos sociais e culturais locais), enquadramos dentro da lei de ICMS e na reta final para essa reabertura tivemos algumas barreiras que precisam ser ultrapassadas. Uma delas é a liberação em definitivo por parte da Secretaria de Planejamento e Gestão para o uso cultural da Fazenda, além da Polícia Militar (que atualmente ocupa o aparelho) entender que a Fazenda teria uma potência muito maior sendo usada pela cultura.

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Reunião de mobilização para a reabertura da Fazenda Colubandê no dia 05 de Novembro

Fica pensando nas inúmeras possibilidades que esse patrimônio pode cumprir em São Gonçalo. Eventos, Festivais, Formações, Escolas de Formação Artísticas, Casamentos, Gravações e uma ilimitada possibilidade de uso para uma cidade que ainda possui poucos investimentos em aparelhos culturais. Esse é um momento especial pois o Secretário Estadual de Cultura André Lazaroni está muito empenhado nessa disputa, pois é uma oportunidade incrível para a São Gonçalo disputar o imaginário da cultura para além dos aparelhos que estão abertos e principalmente para os movimentos sociais que estão nessa disputa desde 2012.

A reabertura da Fazenda Colubandê é necessária. Fico feliz de estar no poder público e poder contribuir com esse projeto e também saber que André Lazaroni está animado com essa reabertura e correndo atrás do dinheiro e da viabilidade técnica para isso.

Que em breve, as imagens sombrias e decadentes sejam substituídas por imagens bonitas de uma Fazenda ocupada por quem nunca deveria ter saído de lá, o gonçalense.

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