Romario Regis

Os campos gonçalenses estão virando condomínios. Em qual você jogava?

Quando era moleque, joguei bola em vários campos da cidade. Existia um circuito importante dos campos que gerava uma série de campeonatos, encontros e oportunidades para jovens que queriam trilhar o caminho profissional do futebol espalhados pelos bairros.

Lembro que um dos papos da minha adolescência com meus amigos era que cada vez mais os jogadores da cidade eram criados em escolinhas. Ao mesmo tempo, reconhecíamos que a várzea sempre foi uma característica local marcante. Não estou fazendo um juízo de valor pra dizer se a escolinha era melhor ou pior, mas tenho certeza que a função social dos campos de várzea como espaço-tempo em que os jovens gastavam energia era e continua sendo necessário. Amizades, histórias, brigas e colaboração na divisão do Tobi dava o tom das partidas.

Junto da especulação imobiliária e uma falta de planejamento urbano da cidade, as construtoras e grandes conglomerados de investidores foram comprando todos os terrenos gonçalenses. Até determinado momento, a exploração desses terrenos como estruturas residenciais não era interessante por que o crédito era baixo e pouca gente compraria apartamentos em determinados bairros.

Conforme o crédito (mesmo com juros absurdos) foi aumentando, o mercado imobiliário cresceu e junto disso as construtoras e empresas donas desses terrenos foram transformando os campos em conjuntos habitacionais. Os campos que antes eram “públicos”, passaram a sumir por conta dos condomínios que não teriam mais abertura antes da construção.

É ótimo que as construtoras tenham interesse em investir em São Gonçalo e tentar impactar positivamente e diminuir os desequilíbrios habitacionais que nossa cidade tem. Ao mesmo tempo, é muito triste ver campos históricos sumindo. É preciso investir, é preciso que novas oportunidades de compra de imóveis apareça, mas é importante também que essas construtoras deixem contra-partidas para a cidade que sejam de interesse público nessa mesma linha.

Não sei se serei vereador um dia, mas era importante que a câmara da cidade compreende-se a importância do patrimônio imaterial que são os campos de várzea. É preciso pensar numa legislação local que equilibre o uso público dos espaços da cidade com os novos investimentos e novos empreendimentos.

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