Lembro dos anos 2000, quando eu era fissurado num cenário pós apocalíptico do rock gonçalense. Depois de bastante tempo sem uma cena forte, minha adolescência foi ouvindo a tal cena “underground” da época. As bandas, inspiradas em Forfun, Dbob, Strike, Drive, etc, eram o que tinha de visível no dia a dia das casas de festas da cidade e dos subnicks de msn.

A proposta do Guilherme com o Rock na Pista fez eu ter boas recordações da minha adolescência. Foi um período que eu estava longe de conhecer a profundidade dessa cena em São Gonçalo, mas lá foi a porta de entrada para anos depois eu compreender melhor. Descobrir naquela época a A Kombi que Pega Crianças ou o Gilbert T, por exemplo, foi um achado fundamental para minha formação cultural.

Converso muito pouco com Guilherme. Na real, se troquei mais que 100 palavras com ele ao longo desses anos que acompanho seu trabalho já é muito. Acabo sempre ouvindo dos amigos em comum as coisas que ele realiza e ele é um grande batalhador. No dia 24 de Junho vai rolar o Rock na Pista, evento anual que ele organiza e sempre bate uma sensação de que temos vários heróis na nossa cidade.

Ao mesmo tempo que sempre escuto que o “cenário do rock gonçalense morreu”, vejo um cara quase sozinho fazendo o possível para que isso seja revertido em falas positivas.

E não é só ele empenhado nisso.

Tem outras casas de show, pessoas e empreendimentos comprometidos o rock da cidade. Gente que provavelmente teve banda, que curtiu o forte cenário entre os anos 90 e 2000 da cidade, que viu o Bar do Blues bombar e que hoje percebe a necessidade de se mover para curtir novamente o estilo musical que é apaixonado.

Apesar do pouco contato, admiro o Guilherme. Que essa sua força inspire outros!

Rock na Pista – Dia 24 de Junho de 2017
Centro Cultural Joaquim Lavoura
mais informações – www.facebook.com/queroRockNaPista

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Hoje sai do Pontal, ali no Gradim, e dei um rolê por toda a Baía de Guanabara. A missão era discutir a região como uma possível área de proteção ambiental para além das regiões já demarcadas. A companhia eram de professores, pesquisadores, comunicadores, gestores públicos e do anfitrião que era o Padre André.

Passamos por Jurubaíba, Ilha das Flores, São João, Praia da Luz, Ilha Redonda e tantos outros pontos com potencialidades turísticas que sempre são incríveis de se observar. Todo ano faço trajetos parecidos de barco, mas a experiência sempre parece ser a primeira.

Sempre ouço que essa região é impraticável por conta do tráfico de drogas e é. É difícil uma região tão bonita ser ocupada por um poder paralelo. Hoje mesmo, durante essa visita, ouvi de um dos traficantes da região a seguinte frase;

“Espero que vocês tragam algo de bom para a região, não quero essa molecada envolvida”

É contraditório? É! Mas aos poucos, mesmo aqueles que inviabilizam nossa ida até a região, compreendem que o melhor para os próximos é um outro caminho.

Falando em caminho, a região de Itaoca pode caminhar sozinha. Ser sustentável economicamente, ecologicamente e criar um novo eixo de desenvolvimento na cidade. O turismo, a culinária, as tradições religiosas e a sua história fazem parte da fundação de uma cidade que ignora parte significativa do seu passado.

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Pela primeira vez meu rolê por essas bandas de gonça estava com o tempo nublado. Sempre vou pra lá me divertir, apresentar a região para amigos e amigas, mas dessa vez saio pensativo sobre a complexidade da nossa cidade e daquela área. Existem saídas, caminhos, percursos e muita gente disposta para essa construção, mas por onde começar?

De um lado a Associação de Moradores se desenvolve, do outro a Igreja Católica pensa na região com muito carinho por conta da sua proximidade com o tema. Ai juntam professores que possuem pesquisas na área, gestores públicos que tentam contribuir, moradores e o caldo vai se formando. Será possível tornar essas potencialidades viáveis? Fiquei me perguntando durante as últimas horas ali na Capela da Luz.

O lugar é lindo!
O lugar é agradável!
O lugar é fantástico!

Vocês, que talvez não estejam entendendo por que perder tempo escrevendo sobre essa área, não devem conhecer o local. Como pode um caminho que passa pelo lixão de Itaoca  esconder tantas belezas? Isso tudo é nosso. É de cada gonçalense interessado em viver melhor por aqui.

Tire um domingo, junte alguns amigos, fale com a Igreja Católica, fale com a Associação de Moradores de Itaoca, fale com algum morador de lá e visite. Conheça o que há de melhor em nossa cidade e que com mais participação de todo mundo (poder público, poder privado e população), será possível começar a se pensar num lugar que de 10 em 10 pessoas, terá a possibilidade de um dia ficar lotado com muitos sorrisos, namoros e boas histórias.

Que Itaoca seja cada vez menos dos tráfico e cada vez mais um lugar de outras oportunidades. Aquele lugar é lindo, precisamos trocar as armas por pirão e peixe fresco.

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Estou tentando fazer um mapa histórico com os personagens recentes de São Gonçalo. No meio de uma pesquisa, encontrei algumas referências sobre nosso ex-prefeito, Edson Ezequiel de Matos. Tenho 27 anos e acompanhei pouco do seu mandato. Só lembro dos “mutirões” e de como o apelidaram carinhosamente: “Uísquiel”. Na época, era super legal chamar o prefeito de cachaceiro. Mas o tempo é bom, permitindo que nós possamos mudar de ideia.

Nosso ex-prefeito tem um currículo memorável. É um acadêmico super respeitado dentro da Engenharia e da Economia. Para quem não sabe, segue seu currículo abaixo:

“Edson Ezequiel de Matos é formado em Engenharia pela UFF; Mestre em Ciências pela Universidade de Minnesota (EUA); Pós-graduação em Sistema Financeiro e Mercado de Capitais pela FGV; participou do Programa Internacional de Administração Pública Comparada pela Universidade de Nova York; e foi Coordenador Geral e Professor dos Cursos de Pós-Graduação da Petrobras.”

Sim caros amigos, nosso Ex-Prefeito é um cara relevante para o mundo acadêmico no país. Olhando o orçamento de São Gonçalo na época, era realmente impossível fazer uma boa gestão. Mesmo assim, escuto de muita gente que Ezequiel, no seu primeiro mandato, foi fundamental para aprofundar o desenvolvimento de São Gonçalo como cidade.

Todos sabem que não tenho nenhuma simpatia pelo atual partido de Ezequiel, o PMDB. Tenho um certo afastamento ideológico que entende o PMDB quase como uma facção criminosa, mas essa publicação não tem nenhuma proposição política. Mesmo se Ezequiel fosse candidato novamente, dificilmente votaria nele. O que venho dizer é que conhecemos muito pouco de nossa história e só absorvemos a parte “pejorativa” dos personagens locais.

Por não registrar sua memória, São Gonçalo ficou com o Uísquiel, enquanto o mundo acadêmico tem um dos maiores profissionais de Engenharia e Economia do Estado do Rio de Janeiro. Conhecemos pouco da nossa história e até mesmo dos nossos prefeitos.

Talvez a centralidade do texto seja justamente a memória. Somos uma cidade sem memória, sem registro e sem comparação de anos anteriores. A falta de registros biográficos faz com que as novas gerações só recebam as informações pejorativas dos Prefeitos, Vereadores, Secretários, Artistas, Produtores Culturais, Empresários, etc. Não to falando se a pessoa foi uma boa pessoa ou não, mas estou falando sobre sua memória. É isso que constrói uma cidade e começamos a fazer isso a muito pouco tempo.

“Davi Sereio” é uma daquelas importantes figuras que aparecem num mainstream gonçalense ou das periferias brasileiras que podem e devem ser motivação para que mais pessoas também apareçam. Sua história viralizou, virou meme, bombou, mas essa história pode ser o mote de muitas outras.

A reboque dessa história do Davi, fiquei pensando em alguns “sereios/tritões” gonçalenses que passam desapercebidos pela falta de eco para as boas histórias sem fantasias. Dessa vez falo do Joseph Cunha, um grande amigo.

Joseph é o sereio das águas que ninguém quer nadar. Navega em Santa Isabel, navega na falta de recursos financeiros, na falta de oportunidades e as vezes na falta de liberdade de criação numa cidade que muitas vezes ceifa a inventividade de quem é pobre e/ou de origem popular.

Tenho aprendido muito com ele. Assim como milhares de gonçalenses, é apaixonado por um mundo POP incrível cheio de aplicativos, festivais, eventos, mas por falta de alavancas sociais, não consegue acessar como gostaria. Enquanto trabalha, baixa em segundo plano as series que gosta de assistir, as músicas que gosta de ouvir e aproveita um pós-expediente para responder as pessoas que não consegue falar por falta de internet no celular.

Davi representa a Atlândida gonçalense. Joseph representa o sereismo das águas fundas da Praia das Pedrinhas, do Piscinão de São de São Gonçalo, da Praia da Luz. Joseph representa os sereios que não podem submergir por falta de guelras da oportunidade.

Davi Sereio vai ganhar o mundo e torço para que isso aconteça. Vai fazer festa de rico, sair na BBC, no New York Times, na Globo, na Record, vai se inscrever pro BBB, vai ganhar seguidor no Twitter, Instagram e Facebook, etc. Que essa caminhada da fantasia de um gonçalense se transforme na abertura de caminhos para os sereios que usam sacola plástica e maquiagem de alcântara para viver seus sonhos ceifados já na esquina de casa.